Desde sempre lembro-me viajando em imagens. Primeiro elas fugiram de meu olhar interno e se faziam ver mergulhadas em papel e cores. Depois vieram as palavras e a inspiração dos sonhos, pois foi a realidade que, muitas vezes, trouxe os pesadelos. Em busca de organizar este mundo interior surgiu a Ilha.União de idéias e sonhos, asas que herdei. Apresento-a em pequenos trechos e peço que questionem, perguntem muito para que ela possa tornar-se mais rica e interessante, lugar melhor pra viver.

6.4.08

ONDE EU?

siegfried-zademack_boat


Onde me encontro
sei que me perdi.
Peças espalhadas
Unidade estilhaçada
Entre outros Eus
Entre os nós
que tomaram seus rumos
em meus descaminhos.

Sempre só estive,
acompanhando passos.
Estradas alheias.

Não mais me reconheço.
Terras estrangeiras,
Idiomas que aprendi,
Não contam minha história,
emaranhada
entre as trincheiras
onde escondi meu ser.

Todos se foram.
Em amplo espaço pleno
tenho todos os rumos
sem fronteiras
e estou cega.

Não tenho pernas.
meus braços abraçam
todos os vazios.
E ... Os gritos de socorro
Nem ecos fazem!


escrito por Angela Schnoor em 17/10/2002

10 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Dentro da gente há um iniverso, que muitas vezes dá medo de conhecer. Belo poema.

3:25 AM

 
Anonymous Anônimo said...

See Please Here

2:58 PM

 
Blogger Fábia said...

Minha mãe querida, lindo! mas confesso que senti um certo alívio quando vi a data. Te amo e sei bem o que é esse sentimento, vindo de ti e nos sabendo história, vindo de dentro de mim mesma.

10:38 PM

 
Blogger Angela said...

Dudv
E às vezes, o universo vivido fora da gente não nos permite viver nossa unidade... é o caso, aqui!

Filha Fábia
Ainda bem que as coisas andam e mudam e podem ser vistas em perspectiva e nos burilam fazendo-nos melhores à cada desencontro!
É bom saber-me amada por vc.!
Vocês são as pérolas de mim-ostra!

11:38 PM

 
Blogger 125_azul said...

Tou com nosso bicho kundun, o alívio só chegou quando vi a data!
Mas lindo, sempre.
Beijinho

6:09 AM

 
Blogger Angela said...

Querida azulinha
Só com os amassos e leveduras o nosso bolo cresce!

1:12 AM

 
Blogger Darlan M Cunha said...

ÂNGELA SCHNOOR,
gostei muito da sua "Casa" - um Blog bem cuidado, elegante.

Voltarei.
Darlan

7:43 AM

 
Blogger Angela said...

darlan
Obrigada. E, quando puder, espia o microargumento, meu blog de minicontos, apenas.

3:57 PM

 
Anonymous Anônimo said...

Este poema é lindo, Angela!
Todos temos labirintos e vazios e temos medo de os enfrentar.

Porque é que a 125 e a Fábia têm tanto medo? Elas não são também mães? Quem sabe que os filhos são dádivas volta sempre, sempre.

" Vou procurar os mundos que há nos fundos do meu nada"

José Régio.

PS Adoro aquela imagem, tenho um guarda-chuva quase igual.

Beijos Angela

6:34 PM

 
Blogger Angela said...

Querida MA
Não sei onde vc. viu tantos medos!
O poema não fala de medos de enfrentamento e a Fábia e a 125azul, pelo que entendi, só ficaram aliviadas ao perceber que este meu sofrer não é de agora, já se foi. Elas conhecem a minha história e as tragédias pessoais vividas. Não tem a ver com ser mãe ou ter filhos...
Acho que cada um tem uma visão dos fatos e dos escritos. Como disse um amigo meu - a comunicação é um milagre!
Belo guarda -chuva. Que vc. jamais esteja remando no sêco!
bj. obrigada, sempre!

8:25 PM

 

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