Desde sempre lembro-me viajando em imagens. Primeiro elas fugiram de meu olhar interno e se faziam ver mergulhadas em papel e cores. Depois vieram as palavras e a inspiração dos sonhos, pois foi a realidade que, muitas vezes, trouxe os pesadelos. Em busca de organizar este mundo interior surgiu a Ilha.União de idéias e sonhos, asas que herdei. Apresento-a em pequenos trechos e peço que questionem, perguntem muito para que ela possa tornar-se mais rica e interessante, lugar melhor pra viver.

16.4.06

PÁSCOA


O que significa a PÁSCOA ?

A Páscoa surgiu entre os pastores nômades na época pré-mosaica,
ou seja, anterior ao profeta Moisés.
Neste tempo, remoto para nós, era celebrada para festejar a abertura da primavera. Naquela época as pessoas viviam apegadas apenas a pequenos rebanhos e pequenas plantações temporárias.
(A palavra tem relação com "pastagem").
Viajavam de um lugar para o outro sem parar e por isso eram chamadas de nômades. A proximidade da natureza fazia com que as mudanças de estação fossem motivo de festa.
Por isso além do aspecto cultural, religioso há uma mudança na natureza que podemos sentir, no frescor do vento, na força da chuva. A idéia de que nossas esperanças se renovam em datas festivas carregadas de tantos significados nos deixa mais solidários, alegres e naturalmente buscamos trocar essa alegria.


Mas ainda hoje, em lingua inglesa -na palavra Easter- a Páscoa mantém o conceito ligado à natureza, ao ponto cardeal Leste onde nasce o Sol após o inverno inaugurando, com o solstício da primavera, o renascimento do ciclo.
Esta idéia foi associada posteriormente à festa anual dos cristãos, comemorativa da ressurreição de Cristo, a Luz (Sol) da Igreja católica.

Para o povo judeu, Pessach = passagem= páscoa, Passover-em inglês, é a festa judaica que comemora a fuga dos hebreus do Egito (aniversário do Êxodo).

No sentido comum, é a comunhão coletiva celebrada em cumprimento ao preceito pascal.

Os símbolos da Páscoa

As luzes, velas e fogueiras são uma marca das celebrações pascais. Em certos países, os católicos apagam todas as luzes de suas igrejas na Sexta-feira da Paixão.
Na véspera da Páscoa, fazem um novo fogo para acender o principal círio pascal e o utilizam para reacender todas as velas da igreja. Então acendem suas próprias velas no grande círio pascal e as levam para casa a fim de utilizá-las em ocasiões especiais.
O círio é a grande vela acesa na Aleluia, simbolizando a luz dos povos, em Cristo. Alfa e Ômega nela gravadas querem dizer:
"Deus é o princípio e o fim de tudo".

Em muitas partes da Europa Central e Setentrional, é costume acender-se fogueiras no cume dos montes. As pessoas reúnem-se em torno delas e cantam hinos pascais.

Ainda temos como símbolos:

O cordeiro, que simboliza Cristo, sacrificado em favor do seu rebanho.

A cruz, que mistifica todo o significado da Páscoa, na ressurreição e também no sofrimento de Cristo mas que também está relacionada aos quatro pontos cardeais que iniciam com o Leste, pelo nascer do Sol. No Conselho de Nicea em 325 d.C, Constantim decretou a cruz como símbolo oficial do cristianismo. Então não é somente um símbolo da Páscoa, mas o símbolo primordial da fé cristã.

O pão e o vinho, simbolizando a vida eterna, o corpo e o sangue de Jesus, oferecido aos seus discípulos.

O ovo, simboliza o nascimento, a vida que retorna. O costume de presentear as pessoas na época da Páscoa com ovos ornamentados e coloridos começou na antigüidade. Eram verdadeiras obras de arte!


Os egípcios e persas costumavam tingir ovos com as cores primaveris e os davam a seus amigos. Os persas acreditavam que a Terra saíra de um ovo gigante.
Os cristãos primitivos da Mesopotâmia foram os primeiros a usar ovos coloridos na Páscoa. Em alguns países europeus, os ovos são coloridos para representar a alegria da ressurreição. Na Grã-Bretanha, costumava-se escrever mensagens e datas nos ovos dados aos amigos. Na Alemanha, os ovos eram dados às crianças junto com outros presentes de Páscoa. Na Armênia decoravam ovos ocos com retratos de Cristo, da Virgem Maria e de outras imagens religiosas.
No século XIX, ovos de confeito decorados com uma janela em uma ponta e pequenas cenas dentro eram presentes populares.
Mas os ovos ainda não eram comestíveis. Pelo menos como a gente conhece hoje, com todo aquele chocolate.

Atualmente, as crianças encontram ovos de chocolate ou "ninhos" cheios de doces nas mesas na manhã de Páscoa. No Brasil as crianças montam seus próprios "cestinhos de Páscoa", enchem-no de palha ou papel esperando o coelhinho deixar os ovinhos durante a madrugada. Nos Estados Unidos e outros países as crianças saem na manhã de Páscoa pela casa ou pelo quintal em busca dos ovinhos escondidos. Em alguns lugares os ovos são escondidos em lugares públicos e as crianças da comunidade são convidadas a encontrá-los celebrando uma festa comunitária.

A festa tradicional associa a imagem do coelho, um símbolo de fertilidade a ovos pintados com cores brilhantes, representando a luz solar, dados como presentes. A origem do símbolo do coelho vem do fato de que os coelhos são notáveis por sua capacidade de reprodução. Como a Páscoa é ressurreição, renascimento, nada melhor do que coelhos para simbolizar a fertilidade!

Os ovos trazem a idéia de nascimento e de vida. Na primavera, os chineses presenteavam seus amigos com ovos, os egípcios também os distribuíam no início desta estação. Os primeiros cristãos davam presentes na Páscoa mas, só no século XVIII é que o ovo tornou-se um símbolo desta festa. Era colorido para representar a alegria da ressurreição de Cristo. Com o surgimento da industria de chocolate em 1828, iniciou-se o costume de se presentear com ovos de chocolate.

Como surgiu o chocolate?

Quem sabe o que é "Theobroma"? Pois este é o nome dado pelos gregos ao "alimento dos deuses", o chocolate. "Theobroma cacao" é o nome científico dessa gostosura chamada chocolate. Quem o batizou assim foi o botânico sueco Linneu, em 1753.
Mas foi com os Maias e os Astecas que essa história toda começou. O chocolate era considerado sagrado por essas duas civilizações, tal qual o ouro.Na Europa chegou por volta do século XVI, tornando rapidamente popular aquela mistura de sementes de cacau torradas e trituradas, depois juntada com água, mel e farinha. Vale lembrar que o chocolate foi consumido, em grande parte de sua história, apenas como uma bebida.
Em meados do século XVI, acreditava-se que, além de possuir poderes afrodisíacos, o chocolate dava poder e vigor aos que o bebiam. Por isso, era reservado apenas aos governantes e soldados.
Aliás, além de afrodisíaco, o chocolate já foi considerado um pecado, remédio, ora sagrado, ora alimento profano. Os astecas chegaram a usá-lo como moeda, tal o valor que o alimento possuía.
Chega o século XX, e os bombons e os ovos de Páscoa são criados, como mais uma forma de estabelecer de vez o consumo do chocolate no mundo inteiro.
É tradicionalmente um presente recheado de significados. E não é só gostoso como altamente nutritivo, um rico complemento e repositor de energia. Não é aconselhável porém, consumí-lo isoladamente.

E o coelho?

A tradição do coelho da Páscoa foi trazida à América por imigrantes alemães em meados de 1700. O coelhinho visitava as crianças, escondendo os ovos coloridos que elas teriam de encontrar na manhã de Páscoa.
Uma outra lenda conta que uma mulher pobre coloriu alguns ovos e os escondeu em um ninho para dá-los a seus filhos como presente de Páscoa. Quando as crianças descobriram o ninho, um grande coelho passou correndo. Espalhou-se então a história de que o coelho é que trouxe os ovos. A mais pura verdade, alguém duvida?
No antigo Egito, o coelho simbolizava o nascimento e a nova vida. Alguns povos da Antigüidade o consideravam o símbolo da Lua.
É possível que ele se tenha tornado símbolo pascal devido ao fato de a Lua determinar a data da Páscoa.
Mas o certo mesmo é que a origem da imagem do coelho na Páscoa está na fertililidade que os coelhos possuem. Geram grandes ninhadas!


O Coelho e os Ovos de Páscoa

Estes dois símbolos da Páscoa remontam de antigos rituais pagãos. Nesta festa cristã, o domingo de Páscoa é sempre o primeiro domingo após a primeira lua cheia, que ocorre depois do dia 21 de março. A Páscoa européia coincide com o início da primavera, quando a neve se derrete e os coelhos deixam suas tocas depois do inverno.

6 Comments:

Blogger C_mim said...

Muito obrigada!! Fiquei bem mais esclarecida. Eu prefiro a páscoa do renascimento, da mudança das estações...

Boa Páscoa

4:51 PM

 
Anonymous Anônimo said...

Oi C_mim, a postagem em seu blog foi uma das motivadoras desta.
Fico contente de que tenha te servido. Eu também gosto mais do paganismo! bj.

2:13 AM

 
Blogger Folha de Chá said...

A Igreja sempre consegue sobrepor as suas festas às festas pagãs. Dessa sobreposição, nasce uma riqueza de símbolos e imagens, como a que aqui está tão bem descrita. Aprendi muito, obrigada. :)

8:04 AM

 
Blogger Angela said...

Cada cultura que emerge absorve os traços da anterior e, muitas vezes, os adotam até sem transformá-los. Acho interessante este descascar da cebola que me parece tão mágico como as cidades que vi no deserto, uma construída sobre a outra que foi coberta pelas tempestades de areia...
Nosso filhos e netos também fazem isto com nossas vidas e transformam, acrescentam ...

Que possamos sempre, todos juntos, descascar cebolas sem chorar!

7:22 PM

 
Blogger Fábia said...

mas peraí este é um ovo planeta, um ovo saturno, ou é meu olhar que está assim, saturnino aos 29? bjs.

9:27 PM

 
Blogger Angela said...

Pode ser... eu achei com um jeitão daquele doce de ovos melado que seu pai tanto gosta... tão anti saturno! lembrei! Papos de anjo!

12:44 AM

 

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