Desde sempre lembro-me viajando em imagens. Primeiro elas fugiram de meu olhar interno e se faziam ver mergulhadas em papel e cores. Depois vieram as palavras e a inspiração dos sonhos, pois foi a realidade que, muitas vezes, trouxe os pesadelos. Em busca de organizar este mundo interior surgiu a Ilha.União de idéias e sonhos, asas que herdei. Apresento-a em pequenos trechos e peço que questionem, perguntem muito para que ela possa tornar-se mais rica e interessante, lugar melhor pra viver.

28.5.06

Doação


Alpenglow on Mount Everest,29028ft. Khumbu Region, Nepal
Photografh Galen Rowell /1995 Amber Lotus

Subi pacientemente e com cautela a íngreme escarpa à minha frente.
Havia saído de uma densa floresta cujos pântanos, os uivos de lobos, os sons desconhecidos e os medos haviam fatigado meu corpo e assolado a alma onde restava apenas um fio da esperança fácil que me acompanhara em tempos de mansidão.
Este fio era meu condutor, montanha acima.

Apenas um ligeiro lusco-fusco indicava o topo, mas o desejo de subir e sair do raso era imenso.
Subir era como banhar-me e deixar para traz memórias e fantasmas. Segui, olhar estreito de ver escuros, determinação quase animal de chegar! Onde? pra que? Não importava.
Afinal, um último esforço e um encontro: uma velha cabana. Fora dela, um velho aquecendo as mãos no fogo. Parecia que rezava. Era solene e suave ao mesmo tempo.

Aproximei-me. Parecia me aguardar desde sempre! Sorriu, perguntou-me sobre o trajeto, lia meus pensamentos e seu pouco falar não agredia meus ouvidos quase surdos de tanto silêncio e medo.
Pedi seus conselhos. Sem uma palavra, desembrulhou algo de um pano roto e colocou em minhas mãos.
Era um presente, e eu o merecia.
Pediu que eu me retirasse e após me dar um gole d'água disse-me que eu devia começar meu caminho de retorno pela via oposta.

A água e as poucas palavras haviam reabastecido meu ser. Não me sentia mais cansado.
Ao começar a descida, um raio de luar escapado das nuvens me permitiu ver o que eu havia recebido.
Um enorme rubi brilhava em minhas mãos!
Por instantes, olhei a pedra e sorri...o velho era eu... eu era o velho.

Descendo a montanha, joguei o rubi para o alto... ou melhor: a pedra saltou de minhas mãos e explodiu em milhares de pequenos pedaços, cobrindo grande parte do cume da montanha.

Enquanto descia, o sol começava a surgir lá embaixo e, às minhas costas, uma montanha faiscante de rubis iluminava os caminhantes do futuro.

Angela Schnoor
imaginação expontânea - 1987 - Ibicui,RJ.

14 Comments:

Blogger 125_azul said...

E onde vc acha imagens para combinar tão bem com suas imaginações espontâneas? beijinho

2:24 PM

 
Anonymous Anônimo said...

Ursa querida passei para lhe dar um beijinho.
Depois comento o post.

Chegou aqui o calor e com ele agravam-se alguns problemas de saúde.
Estou feita numa papa sem qualquer préstimo.

Veremos amanhã.

Sua filha voltou bem?

6:40 PM

 
Blogger Angela said...

Querida 125 azul,
esta imagem é um cartão postal que comprei fazem muitos anos, assim como esta "viagem" que minha imaginação criou enquanto eu lia instruções para um exercício de Gestalt. Uma bela combinação não foi? Quando encontrei o cartão, lembrei da imaginação e o comprei e guardei.Uma boa sorte!

3:07 AM

 
Blogger Angela said...

Meiguinha, sei bem como é isso!
Odeio calor e quase me desmancho. Não se tem forças para nada e eu só consigo ficar sob o ventilador ou dentro do ar condicionado.
Pode parecer um paradoxo mas eu acho que pessoas mais velhas e com problemas de saude deveriam ter asas para poder sempre voar para locais mais frescos e agradáveis.
Repouse bastante e tome muito água com poucas gotinhas de limão. Um beijo cheio de ar fresco. Ursamãe.

3:10 AM

 
Blogger Angela said...

Oi Meiguinha, esqueci de responder.
Fábia voltou bem. estão todos bem.
Só estou muito cansada e ainda sem tempo mas vai ficar tudo bem, espero. Um beijo e obrigada.

3:13 AM

 
Anonymous Anônimo said...

Ursa querida eu sabia que me ia compreender.
Este calor repentino tira qualquer vontade.
Obrigada pelos seus conselhos e, já agora, quando tiver um tempinho, pode dizer-me como se faz o chá de hortelã?

Muitos beijinhos.

6:17 AM

 
Blogger Folha de Chá said...

Que lindo, conhecer o caminho, encontrar um tesouro e aproveitar cada instante.

2:02 PM

 
Anonymous Anônimo said...

Ursa querida, a sua imaginação, expontânea ou nem por isso, dá sempre lugar a coisas maravilhosas.

E era tão bom que pudéssemos ter as tais asas de que me fala.

Beijinho.

4:36 PM

 
Blogger Angela said...

Folha de chá,
o próximo post é para você. Não sei se recorda da história de Eulália, a solitária. Seu comentário, à época, tornou-se outro conto e é por sua solidariedade para com a protagonista que o dedico a você. Sem seu comentário Eulália teria, talvez continuado só e eu não teria ganho uma amiga.

um beijo de eulália para vc.

11:59 PM

 
Blogger Angela said...

Meiguinha, pois então crie asas.
nestes dias de muito calor, deite-se com um ar ou ventilador ligado e voe sobre Ideália, ou venha aqui ao Rio, passeie nas alturas e verá como a gente pode voar assim e sentir menos calor e desconforto. Um carinho especial pra vc. de uma ursa que só gosta do Polo geladinho!

12:02 AM

 
Anonymous Anônimo said...

Ursa querida, vou tentar seguir e seu conselho e voar até aí.

Já fico sonhando como será nosso primeiro encontro.

Que coisa gira.

3:52 PM

 
Blogger Angela said...

Estou esperando meiguinha, aliás irei ao seu encontro pelos ares!
beijokas da ursa.

3:11 AM

 
Anonymous Anônimo said...

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