Desde sempre lembro-me viajando em imagens. Primeiro elas fugiram de meu olhar interno e se faziam ver mergulhadas em papel e cores. Depois vieram as palavras e a inspiração dos sonhos, pois foi a realidade que, muitas vezes, trouxe os pesadelos. Em busca de organizar este mundo interior surgiu a Ilha.União de idéias e sonhos, asas que herdei. Apresento-a em pequenos trechos e peço que questionem, perguntem muito para que ela possa tornar-se mais rica e interessante, lugar melhor pra viver.

7.3.06

Mais para as crianças... pequenas e nem tanto

UMA PÁSCOA VERDADEIRA



A páscoa estava próxima.
Dentro do carro, esperando o sinal verde, a senhora olhava distraída à sua volta quando foi abordada por uma pequena criança.
Sua aparência pobre e desleixada não causou receio. Era bem pequeno e sorria.
- "Moça me dá um chocolate?”.

Ela pensou rapidamente e lembrou-se de que havia comido a última balinha de hortelã que tinha na bolsa.
Não, não havia nada que pudesse oferecer ao pobre garotinho.

Condoída, olhou à volta e viu outras crianças de várias idades que vagavam por aquela esquina e, sentada em um muro um pouco mais distante, percebeu uma mulher, também suja e maltrapilha, que parecia ser a mãe daqueles pequenos.

Antes que o sinal abrisse, respondeu ao menino:

- "Pena, criança, eu não tenho um chocolate para te dar. Não tenho nada gostoso para te dar, mas, se eu tivesse um bom-bom ele seria seu!”.

Para seu espanto e encantamento viu o menino se afastar do carro, saltitante de alegria, dizendo em alto e bom som para os outros:


- "Se ela tivesse me daria! Se ela tivesse um bom-bom, ela daria para mim!”.

Com os olhos marejados, a mulher deu partida no carro pois o sinal abrira e as buzinas já soavam impacientes, alheias ao milagre de esperança que acabara de acontecer naquela esquina.

Ela decidiu, naquele momento, que levaria consigo alguns chocolates para dar às crianças de rua, principalmente para aquelas que não tivessem a benção de terem nascido com o espírito daquele pequeno anjo.


Em 21 de maio de 2002
©Copyright ANGELA SCHNOOR

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Tão bom ainda haver crianças com esperança!

É um exemplo para todos nós.

Beijinho.

2:31 PM

 
Anonymous Anônimo said...

Melga, esta história é real, aconteceu comigo e sempre será uma das lições mais importantes que tive na vida.

Acho que todos podemos cultivar esta alegria que nem sempre está ligada ao concreto, embora a matéria seja muito importante e necessária também.

2:12 AM

 

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